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Grêmio Sumaúma de Haicai

ATA DA SEGUNDA REUNIÃO DO GRÊMIO SUMAÚMA DE HAICAI

No dia sete de dezembro de 2002, às 10:30h, nos altos da Livraria Valer, reuniram-se Luís Bacellar, Rosa Clement, Zemaria Pinto, Grace Cordeiro, Dedé Rodrigues, Cynthia Teixeira, U. Sanches, Dilair Ferreira, Francisca Ferreira da Silva, David Almeida e Virgínia Allan, em nome do Grêmio Sumaúma de Haicai. Zemaria Pinto fez a abertura da reunião, falando dos objetivos do encontro: a troca de experiências sobre haicais; identificação de vertentes; a organização de um encontro maior de haicaístas, assim como é feito no sul do país. Disse ainda que o Sumaúma não é uma agremiação fechada, assim, faz parte dele quem participar das reuniões. Em seguida, Zemaria Pinto falou sobre sua participação como representante do Amazonas, no 14o. Encontro Brasileiro de Haicai, realizado em Campinas-SP, nos dias 9 e 10 de novembro de 2002. Leu o relatório encaminhado por Edson Kenji Iura sobre o encontro e, a cada ponto, fez uma explicação detalhada. Falou também de sua participação na Mesa Redonda daquele Encontro: abordou breve histórico sobre o haicai no Amazonas, destacando os nomes dos poetas Luís Bacellar, introdutor do haicai no estado, Aníbal Beça, Rosa Clement, dentre outros, até a nova geração. Em seguida, U. Sanches manifestou-se e falou da dúvida quanto ao conceito de haicai. Zemaria Pinto também levantou o problema da pronúncia mais adequada, lembrando a opinião de M. Goga. O poeta Luís Bacellar tomou a palavra para explicar: haiku seria uma pluralização de haicai; o haicai pressupõe a contemplação da natureza, embora possa ter a presença humana; quanto à métrica, pode apresentar 17 ou 15 sílabas poéticas, em versos de 5, 7 e 5 sílabas; falou também sobre o “modelo” de Guilherme de Almeida, quanto a obrigatoriedade de rimas internas e externas, tendência seguida por alguns poetas, citando o nome de Jorge Tufic. Rosa Clement pediu a palavra e perguntou ao poeta com quantas sílabas ele escreve seus haicais. Bacellar respondeu-lhe que o faz com versos de 5, 7 e 5, com 17 sílabas, às vezes com 15 sílabas poéticas. Rosa falou sobre seu trabalho, da sua preocupação maior com a imagem que se quer descrever. Disse ainda que lhe parece desnecessária a procura de um adjetivo qualquer apenas para alcançar o número de sílabas exato. Zemaria Pinto leu algumas observações feitas sobre o haicai: conceito, temas, humor. Em seguida, Rosa Clement abordou sobre questões polêmicas relacionadas ao haicai: o não-envolvimento do “eu”; o objeto do haicai, ou seja, “o momento” captado e descrito pelo haicai. Luís Bacellar complementou, dizendo que o momento descrito pelo haicai é, na verdade, uma “revelação”. Zemaria Pinto abordou um outro ponto problemático sobre o haicai, a “antropomorfização”. Leu um poema de Bashô e salientou que há regras que podem ser quebradas. Deve-se buscar, sempre, a Poesia, na sua opinião. Rosa Clement leu uma questão levantada por ela a uma mestra de língua inglesa, e a respectiva resposta, sobre a antropomorfização no haicai. Em seguida, Zemaria, Bacellar e Rosa tentaram explicar a questão, ilustrando com alguns haicais: Bacellar deu o exemplo de um haicai que trata de vaga-lumes dentro de uma garrafa, num estádio vazio; outro que fala de um carro moderno vermelho ao lado de um templo budista. Em seguida, Bacellar disse que há relação entre o haicai e a religião. Para finalizar, Zemaria Pinto propôs que o encontro do Grêmio seja feito todos os primeiros sábados de cada mês, no mesmo horário. Todos aprovaram a proposta, ficando a próxima reunião marcada para o dia 04 de janeiro de 2003, às 10h, nos altos da Livraria Valer. Zemaria Pinto propôs ainda uma “tarefa” para o próximo encontro: que cada participante escreva um haicai, com tema livre, para ser discutido pelos membros; propôs finalmente que cada participante procurasse convidar outras pessoas interessadas na prática do haicai. Assim, com a auto-apresentação dos participantes, encerrou-se a reunião, cuja ata foi lavrada por mim, Dedé Rodrigues.

Manaus, 07 de dezembro 2002