sa-ico-1.gifHomesa-ico-1.gifO Haicai e Suas Teorias

O Haicai e Suas Teorias

Antropormofismo
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A personificação de coisas inanimadas é uma parte básica de nossa língua. Diariamente falamos sem perceber, da cabeça de prego, de alho, pés ou pernas de camas, mesas e cadeiras. Frequentemente dizemos que rios correm, o tempo voa, as nuvens andam e assim por diante, como Jane Reichhold já havia observado. Quando um poeta escreve um poema, ele faz uso desse recurso com grande propriedade e muitas vezes, os objetos ganham até mesmo alma. Então por que restringir esse hábito de usar antropomorfismo no haicai? É o que escritores de haicai em qualquer língua, frequentemente questionam. É permitido ou não? Se respondermos com um não, logo alguém nos mostra de imediato, um haicai escrito por um dos mestres japoneses, que contém objetos animados. Como diz Jane Reichhold (com. pes.), tocar nesse assunto é colocar o dedo na ferida das regras sobre a escrita do haicai. Segundo Jane:

1. O uso de antropomorfismo no haicai poderia ter surgido da idéia que o haicai não era poesia e não devia usar técnicas poéticas (tais como a metáfora e símile). Quando os pioneiros introduziram o haicai aos escritores ingleses, eles estavam reagindo contra as formas de poesia que prevaleciam e desejaram apresentar o haicai como algo novo e diferente - não-poesia poesia. Conseqüentemente, Robert Spiess e outros fizeram as regras com esperanças de que, se elas fossem seguidas, nosso haicai seria mais como os exemplos japoneses e muito menos como a poesia escrita em inglês naquele tempo. Não usar a personificação separa o haicai da poesia lírica - o que muitas pessoas vêem como um ponto positivo.

2. Parte do charme do haicai está no tempo presente das coisas (as coisas são, não foram e nem serão no momento do haicai. Para criar a personificação, o intelecto e a imaginação devem estar engajados tanto pelo autor como pelo leitor. Isto retira o haicai do elemento básico de simplicidade e claridade do aqui e agora. Para o leitor entender a personificação deve usar a fantasia - uma facilidade que geralmente tentamos evitar no haicai. O aspecto fresco, calmo, racional do haicai é perdido então.

3. O haicai busca fluir delicadamente no calmo riacho da realidade. O empurrão da sacudida de criatividade pode, para algumas pessoas, arrancá-los do modo contemplativo.

4. Criar um personificação pode ser visto como 'exibição' - algo que autores sem ego nunca fazem.

5. Quando questionamos estas regras inglesas que alguém inventou, nós abrimos incríveis possibilidades para nosso haicai. É muito bem conhecido que o haicai não-japonês SÃO diferentes daqueles escritos em japonês, e dado a nossa natureza de questionar, nossa inventividade, nosso impulso de fazer tudo de novo, é praticamente certo que em nossas mãos o haicai terminará muito diferente daqueles escritos no Japão nos anos 1600s ou ontem. Outra vez, eu penso que cada escritor tem que se decidir qual das muitas regras ele quer seguir ou não. E nosso grau de tolerância para compreender e aceitar quando um outro autor tem regras diferentes é uma das lições que nós necessitamos praticar enquanto nosso mundo encolhe.