sa-ico-1.gifHomesa-ico-1.gifMestres Japoneses

Um Mestre Chamado Shiki

Masaoka Shiki, ou melhor, Masaoka Tsunenori, nasceu em 17 de setembro de 1867 em Matsuyama, e morreu em 19 de setembro de 1902, em Tokyo. O pai de Shiki, Masaoka Hyata, era um samurai de baixa patente, que morreu quando Shiki tinha cinco anos. Quando criança, Shiki era chamado Tokoronosuke e na adolescencia, seu nome mudou para Noboru. Sua mãe, Yae, era professora. Ainda na escola primária, Shiki começou a escrever prosa e poesia. No tempo em que a poesia e a prosa chinesa eram consideradas um aspecto importante da formação cultural, até mesmo crianças eram ensinadas a compor. Quando Shiki estava na quinta série, ele compôs este poema chinês:

Sob o luar, o cuco gritou como se tossisse sangue.
Sua voz triste me manteve acordado,
e me fez lembrar da minha longiqua cidade natal.

Por causa de sua música triste, o cuco japonês, hototogisu (shiki) é dito cantar até "tosse com sangue". O jovem Shiki compôs seu poema sobre a triste canção do cuco, e mais tarde, escolheu (Shiki),hototogisu, para seu pseudônimo, quando passou a tossir sangue devido ter contraído tuberculose. Durante sua vida, Masaoka Shiki escreveu cerca de novecentos poemas chineses. Na idade de quinze anos, Shiki começou a compor tanka (poemas, com 31 sílabas dispostas em 5-7-5-7-7), e compôs cerca de 2300 tanka durante sua vida.

Shiki foi um autor japonês, poeta, crítico, jornalista e ensaísta, fundador da revista literária japonesa "Hototogisu" e patrono de uma série de jovens poetas, que desempenhou um papel de liderança no relançamento do waka e formas tradicionais da poesia japonêsa como o haicai. Durante sua curta vida ele se tornou um crítico muito estimado. Seu papel como uma figura carismática literária sombreou seus méritos como poeta e cronista.

Inicialmente um escritor de prosa, Shiki dedicou grande parte de sua vida curta à coleção e composição do haicai, defendendo um estilo poético realista e descritivo, que ele considerava como o espírito original do verso japonês. Ele explorou o uso de novos assuntos e vocabulário em formas tradicionais de waka e haicai, e introduziu o conceito de shasei ("delimitação da natureza" ou "esboço") para descrever o seu uso de imagens realistas e uma linguagem contemporânea. Seus escritos influenciaram grandemente o mundo literário japonês conforme ela se esforçava para definir os modos japonêses modernos de expressão.

Na idade de dezoito anos, interessou-se pelo haicai tradicional escrito sobre imagens. Em 1883, Shiki foi para Tóquio, onde frequentou a universidade preparatória e em seguida, estudou literatura clássica japonesa na Universidade Imperial de Tóquio. Começou a escrever poesia a sério em 1885. Quando completou 22 anos, Shiki passou a sofrer de tuberculose. Ele mudou seu nome para Shiki, um outro nome para o cuco japonês (hototogisu). Daquele momento em diante, ele foi aconselhado por seu tio Ohara Kiju, professor de haicai, a dedicar-se ao haicai. Shiki compôs mais de 25.500 haicais em seu curto tempo de vida. Depois de estudar na Universidade Imperial de Tóquio (1890-1892), ele desistiu e juntou-se ao Jornal Nippon como um editor de haicai, e começou sua reforma sob a forma poética japonesa.

Shiki alegou que as formas tradicionais da poesia japonesa deveriam ser modernizadas, e cunhou o termo "haiku" (haicai) (substituindo "hokku") e "tanka" (substituindo "waka"). Ele é muitas vezes chamado o fundador do grupo realista, porque defendeu o uso de realismo em haicai. Sua contribuição como crítico foi a redescoberta do Man'yoshu e reavaliação de Minamoto no Sanetomo, o terceiro shogun do shogunato Kamakura, bem como a reabilitação do haicai de Buson Yosa.

Acamado por causa da tuberculose, em seus últimos anos, manteve uma ativa carreira literária até a sua morte precoce. Ele é considerado o último dos quatro grandes mestres japoneses do haicai. Shiki dedicou o resto de sua vida à escrita de haicai e waka (ou tanka). Durante seu breve serviço no exército japonês como correspondente durante a Guerra Chino-Japonêsa, a tuberculose que ele havia contraído em 1889 tornou-se pior, e daquele momento em diante ele foi quase sempre um inválido. Mesmo assim, Shiki enfrentou a doença e a dor física com dignidade e humor irônico.