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Sumaúma
A Sumaúma e o Haicai:
Ceiba pentandra
(Bombacaceae)



ceiba-tree

A Sumaúma ocorre nas Américas, Africa e Ásia. Foi na Ásia que o haicai originou-se, difundindo-se pelo mundo. A sumaúma espalhou-se similarmente, mas das Américas. Para o nosso grêmio, ela representa a força do haicai em nossa região e seus frutos, com suas sementes emplumadas, simbolizam os haicais em si. Como suas sementes, usadas para encher travesseiros e colchões, nosso trabalho é usado para ilustrar nossa criação para a posteridade. A sumaúma encanta com suas lendas e com seu espirito invocado pelos pajés em rituais de cura. É considerada o telefone da floresta: batendo em suas sapopemas faz com que elas ecoem, anunciando a presença de alguém em seu tronco. Dessa relação atrativa e espiritual fazemos uma ligação estreita com os objetivos e fundamentos do nosso grêmio.

Nomes Comuns:

Africa Francesa: Le Formager, Le Faux-Cotonnier, Le Kapokier
Bolivia: Toborachio
Brasil: Sumaúma, Sumaúma da várzea, Sumaumeira-de-macaco, Samaúma (Amazonas).
Colombia: Ceiba, Ceiba de lana, Ceiba de garsón, Ceiba, Ceiba de bruja, Cibonga, Cartagenera, Palosanto, Lana bongo, Yague, Fromager, Majumba, Ceibo
Commercial Spanish: Ceiba, Ceibo
Cuba, Peru: Ceibo, Ceyba
French Guiana: Fromager, Maho coton, Kapokier, Bois coton
Great-Britain: Corkwood, Kapok-tree, Silk-cotton-tree
Guiana: Kumaka, Silk cotton
Haiti (Guadalupe): Mapou
Java: Kapok
Mexico: Ceibo, Ceyba, Pochote, Ochota
Nicaragua: Ceibon
Oeste Africano: Silk-cotton-tree
Panama: Longo, Cotton-tree
Suriname: Kankantri
Venezuela: Ceiba yuca

Características gerais da sumaúma:

A sumaumeira é uma árvore típica da várzea onde atinge um porte gigantesco de 45-50 m de altura por 1,5-2 m de diâmetro, crescendo muito rápido e desenvolvendo características sapopemas. Em terra firme, atinge menor porte, embora seja também volumosa. Quando jovem, seus galhos e tronco possuem grossos espinhos cônicos e solitários. As folhas são alternas, com 5-7 folíolos, muitas vezes denteados nas beiras. Devido sua grande exigência de luz, a regeneração natural da plantnão é abundante, ainda que ela gere um grande número de sementes. A reprodução natural da espécie é melhor sucedida em terrenos agrícolas abandonados.

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As flores solitárias ou agrupadas são róseo-claras, com rnanchas púrpuras, externamente cobertas de pelos brancos, com menos pelos internamente, soldados na base do tubo estaminal.

O fruto é uma cápsula obovoide ou elipsoidal, 5 a 7 cm de diâmetro, 8 a 16 cm de comprimento, contendo 120 a 175 sementes, cada uma envolta por algodão branco ou acizentado, acetinado, fibroso, leve e elástico.

A fenologia da sumaumeira varia geograficamente e de acordo com o clima. Na Amazônia, em geral, a árvore floresce de agosto a setembro, quando está quase sem folhagem (é polinizada por morcegos), e os frutos amadurecem de outubro a novembro. Na estação experimental de Curua-Una, a floração ocorre de junho a agosto e a frutificação de setembro a outubro.

Área de ocorrência

A sumaúma é muito difundida pelo mundo e é estritamente tropical. É originária da América Tropical e ocorre na África Ocidental e no Sudeste da Ásia, coincidindo com as mais significativas áreas de florestas tropicais úmidas do mundo. Na Amazônia é mais comum ao longo das várzeas de água branca e na terra firme adjacente aos Rios Solimões, Madeira, Purus e Juruá, menos comum ao longo das bacias de águas pretas e claras e na terra firme adjacente aos Rios Tapajós, Xingu, Tocantins e Negro.

Habitat

É uma espécie da floresta aberta, abundante nas florestas tropicais e pantanosas e nas margens dos rios de águas "barrentas", e em capoeiras de várzea dos mesmos rios. Cresce também na terra firme com solo argiloso fértil.

Usos

ceiba-wood.jpgA madeira é o principal uso da Sumaúma, atualmente. É uma madeira leve (0,30 a 0,37 g/cm3), de cor esbranquiçada quando fresca, que vai mudando para castanho e cinza quando madura, e possui uma grã regular. Possui também uma textura média, cheiro e gosto indistintos. É usada para fazer caixas, brinquedos, caixotes de embalagem, jangadas, celulose, palitos, fósforos e canoas.

Seu mais importante uso secundário é o aproveitamento da paina que envolve as sementes, conhecida como "kapok", utilizada como enchimento para colchões, travesseiros, salva-vidas (por ser impermeável à umidade). Duzentos frutos fornecem 1 quilo de kapok. Os frutos também servem de alimento para animais.

A semente é composta de 40% de casca, 60% de amêndoa com 25% de óleo de cor verde amarela, de gosto e cheiro agradáveis, similar ao óleo de algodão, inclusive quimicamente. Em repouso, o óleo separa gorduras sólidas de estearina, tal como o de algodão. É usado na alimentação, sabões, lubrificantes, iluminação, sendo eficaz contra ferrugem. A torta das sementes contém 26% de proteínas, 7% de óleo, 23% de carboidratos, 6% de cinzas e 14% de água, e pode ser usada como ração para animais ou adubo.

Outro uso secundário da sumaúma é o medicinal. Sua seiva é usada para curar a conjuntivite. A decocção da casca é diurética e é usada para curar a hidropsia do abdomem e malária. Alguns componentes químicos obtidos da casca das raízes mostram moderada atividade contra dois tipos de bactérias (Bacillus subtilis e Staphylococcus aureus) e dois fungos (Aspergillus niger e Candida albicans). As raízes descobertas nas margens dos riachos secos dão excelente água potável no verão.

Este texto foi compilado de:

Arthur A. Loureiro, Marlene F. da Silva, Jurandyr da Cruz Alencar. 1979. Essências Madeireiras da Amazônia. Volume II. Instituto Nacional de Pesquisas da Amazonia, Manaus, Amazonas, Brasil.

Paulo de Tarso Barbosa Sampaio. 1999. Sumaúma, Ceiba pentandra. In: Jason W. Clay, Paulo de Tarso Barbosa Sampaio, Charles R. Clement (Eds.). Biodiversidade Amazônica. Exemplos e estratégias de utilização. Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa-SEBRAE, Manaus, Amazonas, Brasil.

Revised by Charles R. Clement, Biólogo e Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA.